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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Grandes projetos, grandes problemas na Amazônia Parte I.

     A (re)ocupação da Amazônia, a partir de 1960, é resultado de uma nova política territorial planejada pelo Estado autoritário brasileiro com o objetivo de incorporar a região ao restante do Brasil e do mundo como área fornecedora de matérias-primas, mais uma vez, e consumidora de produtos industrializados do Centro-Sul, além de diminuir as tensões sociais no Sul e no Nordeste, através do estímulo à migração. Para isso o Estado montou uma poderosa infra-estrutura técnica, financiou Grandes Projetos e criou uma política de incentivos fiscais as grandes empresas, gerando fortes enclaves socioambientais.

1. Amazônia: “Integrar para não entregar”.

    A ocupação da região enquadrou-se na lógica dos militares de “integrar para não entregar”, onde a Amazônia irá se integrar ao restante do Brasil, por meio das rodovias federais, através do PIN – Programa de Integração nacional e do I PND – Plano de Desenvolvimento Nacional (1968-1972), além de infra-estrutura técnica de comunicação e energia. Porém, essa integração reforça a condição periférica da Amazônia na DTT – Divisão Territorial do Trabalho e da DIT – Divisão Internacional do Trabalho, como área fornecedora de matéria-prima e consumidora de produtos industrializados do Centro-Sul e dos países desenvolvidos. Os militares usaram o discurso da ameaça externa, em especial, a comunista, devido o período da Guerra Fria, o que mais tarde iria ganhar respaldo com a guerrilha do Araguaia, articulada pelo PC do B.
    Essa lógica, antecede o período militar, começa com Juscelino Kubitschek e seu plano de metas, com a construção de Brasília(1960) e da BR-010, a Belém-Brasília (1959). Porém, é com os militares que ela se desenvolve, através da Transamazônica, BR-163, a Cuiabá-Santarém, BR-36, a Cuiabá-Porto Velho, BR-210, a Perimetral Norte, BR-174, a Porto Velho-Boa Vista, entre outras, era o PIN e o I PND em prática.
Posteriormente, na segunda metade da década de 1970, entra em ação o II PND ( 1975 – 1979) cujo o objetivo é a exploração dos recursos naturais, através de grandes projetos. Para isso foi feito um mapeamentos dos recursos naturais, por meio do Projeto Radam – Radar da Amazônia, através do levantamento aerofotogramétrico e pesquisa de campo. O projeto deu certo na região e foi expandido para outras regiões do Brasil.

Rodovias na Amazônia, só o desenvolvimento social não passou por aqui.

 2. O Estado e os Grandes Projetos para Amazônia: “Exportar é o que importa?”.

    O papel do Estado na Amazônia refletiu na doutrina de segurança nacional, ou seja, a reafirmação de sua soberania territorial, através da exploração dos recursos naturais para o pagamento da dívida externa brasileira, para isso criou a sua “operação Amazônica” que consistiu na criação de uma poderosa infra-estrutura de transporte, comunicação, habitação e exploração das potencialidades regionais, estabelecendo assim, os Grandes Projetos de exploração na região, cuja produção era voltada para exportação.
Os Grandes Projetos são empreendimentos com investimentos superiores a 1 bilhão de dólares, subsidiados pelo Estado, com grandes extensões de terra, excelente infra-estrutura logística, com a construção de minas, fábricas, portos, usinas hidrelétricas, rodovias, ferrovias e company towns, estando ligados muito mais a realidade nacional e internacional do que local, gerando, contraditoriamente, grandes enclaves socioambientais na região e estimulando uma intensa migração desordenada, provendo a industrialização da Amazônia.
    Para organizar a exploração dos recursos naturais e tornar o Estado Brasileiro mais presente na região, foi criado a SUDAM – Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, criada em 1966, para substituir a SPVE – Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, criada por Getúlio Vargas, em 1953. O objetivo da SUDAM é elaborar, aprovar e fiscalizar os empreendimentos econômicos na Amazônia, através de uma política de incentivos fiscais. Porém este órgão esteve associado a escândalos de corrupção, projetos “fantasmas”, nepotismo e clientelismo político, sendo em 2001 substituída pela ADA – Agência de Desenvolvimento da Amazônia, mas durante o governo Lula a SUDAM, em 2003, foi reativada.
Para a Amazônia Ocidental, em especial a cidade de Manaus, foi criada a SUFRAMA – Superintendência da Zona Franca de Manaus, em 1967, com o objetivo de desenvolver essa parte da região e integrá-la a economia nacional, sem acesso direto por rodovias, com a criação de um pólo industrial, turístico, agropecuário e uma Zona Franca de Comércio, além uma política pesada de incentivos fiscais.
A ZFM atraiu empresas nacionais e internacionais, gerando 120 mil empregos, tirando dos cofres do governo do Amazonas mais de 100 bilhões de dólares, o que acabaria com a pobreza do Estado, pois apesar de Manaus ter a alcançado o 4º PIB das cidades do Brasil, ainda não acabou com sérios problemas socioambientais. Porém, manteve intactos 98% de cobertura vegetal do Estado do Amazonas.
Para organizar a política de distribuição de terra foi criado o INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária em 1970, associado, na década de 1980, ao GEBAM – Grupo Executivo de Terras do Baixo Amazonas e ao GETAT – Grupo Executivo de Terras do Araguaia-Tocantins, já extintos os dois últimos.
    O banco que iria financiar esses Grandes Projetos foi o BASA – Banco da Amazônia S/A, criado em 1950, substituindo o BCB – Banco de Crédito da Borracha. Porém, o banco refletia a política do governo federal que privilegiou o grande capital nacional e internacional, em relação aos pequenos produtores, que, em geral, foram excluídos dos subsídios creditícios do BASA.
SUDAM, BASA e INCRA iriam atuar em parceria para estimularem os investimentos para a Amazônia.
Sede da Sudam em Belém.

2.1 – Os primeiros Grandes Projetos na Amazônia.
a) O Projeto Manganês.
Localização da Serra do Navio (AP).

    Criado em 1953, para explorar, beneficiar e exportar o manganês da Serra do Navio no Amapá, pela empresa ICOMI – Indústria e Comércio de Minérios, durante 50 anos. Construção de uma infra-estrutura que envolve a mina da Serra do Navio, a ferrovia Amapá e o porto de Santana e as company towns Vila Amazonas e Serra do Navio.
O manganês é utilizado para a fabricação de pilhas, ligas metálicas e melhoria do aço, durante a exploração do minério de alto teor a empresa investiu no projeto, com o seu esgotamento a ICOMI abandonou o projeto antes do término do contrato. Armazenando nos Estados Unidos grande parte do manganês.
A empresa saiu do Amapá e deixou uma herança maldita para esse Estado da Amazônia, um imenso buraco, equipamentos enferrujados e abandonados, uma cidade “fantasma”, agressão ao meio ambiente e a sociedade, através da contaminação de rios, desmatamento, pobreza da população, e, principalmente, não gerou desenvolvimento para a região, servindo de exemplo para a Amazônia, para que isso não se repetisse mais.

b) O Projeto Jarí.
     Criado em 1967, pelo milionário norte-americano Daniel Ludwig, que via na região a oportunidade de ganhar dinheiro com a produção de Celulose, matéria-prima do papel, Caulim, minério para embraquecimento, e Agropecuária. Localizado nas proximidades da foz do Amazonas, nas margens do rio Jarí, na fronteira entre os municípios de Laranjal do Jarí, resultado da divisão de Mazagão (AP), e de Almerim (PA).
Ludwig pretendia lucrar com a venda de papel para os países do terceiro mundo combaterem o subdesenvolvimento investindo em educação, porém, ele não contava com a crise do petróleo, a queda nos preços e do consumo de papel no mundo na década de 1970, o que endividou o projeto, forçando-o a entregá-lo ao Banco do Brasil, que, posteriormente, foi vendido para o Grupo CAEMI e depois para o Grupo ORSA, que administra atualmente o projeto.
O projeto atraiu milhares de pessoas para seu entorno, que foram em busca de empregos, e encontraram a miséria nas favelas do Beiradão e Beiradinho nas margens do rio Jarí. No entanto, o projeto contou com uma boa infra-estrutura, com a fábrica da JACEL – Jarí Celulose S/A, a company towns Monte Dourado. A fábrica percorreu milhares de kilômetros do Japão até a Amazônia, despertando curiosidade nos ribeirinhos da região.

Beiradão do Jarí, favelão flutuante e pobreza abundante.

2.3 – O POLAMAZÔNIA.
    O Programa de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia, criado a partir de 1975, na lógica do II PND e do PIN, com a finalidade de explorar as potencialidades naturais da região, baseado na teoria dos pólos centrais de François Perroux. Foram criados 15 pólos de exploração agropecuários e agrominerais, esse projeto materializou o interesse do Estado em apoiar grandes empreendimentos. O POLAMAZÔNIA foi implementado pela SUDAM, SUDECO, BASA e Ministério do Interior.
Com a implantação do POLAMAZÔNIA, inúmeras mudanças ocorreram no espaço amazônico, destaque para: maior presença do médio e grande capital nacional e estrangeiro, atraídos pelos subsídios fiscais da SUDAM; apropriação monopolista da terra, ou seja, a terra monopólio de empresas agropecuárias e fazendeiros individuais; intensificação dos conflitos fundiários, envolvendo diversos personagens: posseiros, grileiros, empresas, latifundiários, Estado, pistoleiros, gatos dentre outros; degradação ambiental; impactos sobre a vida da população local.
    A maioria desses pólos fracassaram, apenas alguns deram, relativamente, certo, caso do Trombetas, Rondônia e de Carajás, devido não se enquadrarem a realidade local.

12 comentários:

  1. Atividade de compreensão do blog
    Alunos do ensino fundamental da E.E.E.F.M. Armando fajardo
    Ananindeu-Pa.

    Com base no post acima, responda:

    1. Qual o tema do post?
    2. Qual os interesse para a (re)ocupação da Amazônia pó-1960?
    3. Justifique a frase "integrar para não entregar.
    4. Quais os órgãos criados pelo governo federal para atuarem na região?
    5. O que são Grandes projetos?
    6. Quais os principais problemas gerados por esses empreendimentos na região.
    7. Cite e explique pelo menos um grande projeto na região.

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  2. 1.Grandes projetos, grandes problemas na Amazônia
    2. A (re)ocupação da Amazônia, a partir de 1960, é resultado de uma nova política territorial planejada pelo Estado autoritário brasileiro com o objetivo de incorporar a região ao restante do Brasil e do mundo como área fornecedora de matérias-primas, mais uma vez, e consumidora de produtos industrializados do Centro-Sul
    3.integrar- Fazer parte,juntar-se e.t.c
    Intregar dar , passar algo para pessoas entregar cargos , ex: estou entregando meu cargo na empresa
    Aluno: Rodrigo Siqueira Armando Fajardo 8ª série as outras questões lhe entrego na sala professor abraços'

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  3. 1.Grandes projetos, grandes problemas na Amazônia
    2. A (re)ocupação da Amazônia, a partir de 1960, é resultado de uma nova política territorial planejada pelo Estado autoritário brasileiro com o objetivo de incorporar a região ao restante do Brasil e do mundo como área fornecedora de matérias-primas, mais uma vez, e consumidora de produtos industrializados do Centro-Sul
    3.integrar- Fazer parte,juntar-se e.t.c
    Intregar dar , passar algo para pessoas entregar cargos , ex: estou entregando meu cargo na empresa oresto entrego depois MARIO WESLEY 8° serie

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  4. 1.Grandes projetos, grandes problemas na Amazônia Parte I.
    2. A (re)ocupação da Amazônia, a partir de 1960, é resultado de uma nova política territorial planejada pelo Estado autoritário brasileiro com o objetivo de incorporar a região ao restante do Brasil
    3.o governo militar resolvel imtegrar para não entegrar
    4.PIN ,PND ,DDT,ADA,DIT ,PND etc...
    5.Os Grandes Projetos são empreendimentos com investimentos superiores a 1 bilhão de dólares, subsidiados pelo Estado, com grandes extensões de terra, excelente infra-estrutura logística, com a construção de minas, fábricas, portos, usinas hidrelétricas, rodovias, ferrovias
    6.A empresa( ICOMI ) saiu do Amapá e deixou uma herança maldita para esse Estado da Amazônia, um imenso buraco, equipamentos enferrujados e abandonados, uma cidade “fantasma”, agressão ao meio ambiente e a sociedade, através da contaminação de rios, desmatamento, pobreza da população, e, principalmente, não gerou desenvolvimento para a região, servindo de exemplo para a Amazônia, para que isso não se repetisse mais.
    7.O Projeto Manganês- criado para esplorar e beneficiar o manganes mais tudo deu errado pois ela abandonou o estado e deixou buracos poluindo rios e cidades,deixando equipamentos enferujados.
    Gabriel petrus 8ª série Armando Fajardo,Tarde.

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  5. 1.Grandes projetos, grandes problemas na Amazônia.
    2.Incorporar a região ao restante do Brasil e do mundo como área fornecedora de matérias-primas.
    3.Integrar significa:Associar,juntar.Entendi que o governo e os militares decidirão associar a Amazônia au restante do Brasil e do mundo para não entregar os recursos naturais da Amazônia.
    4.Os órgãos criados pelo governo federal para atuarem na região são:PIN,PND,DTT e DIT.
    5.São empreendimentos com investimentos superiores a 1 bilhão de dólares, subsidiados pelo Estado.
    6.Grandes impactos ambientais,estimulo de uma intensa migração desordenada.
    7.Projeto manganês da serra do naviu: Foi criado em 1953,com o objetivo de explorar, beneficiar e exportar o manganês da Serra do Navio no Amapá. A empresa ICOMI pela qual o projeto foi criado saiu do Amapá e dixou sequelas um enorme buraco e equipamentos enferrujados.
    Joas Henrique 8ª série Armando Fajardo,Tarde

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  6. Aluna: Laura Marcela Magalhães - 8ª série tarde

    1. Uma análise dos grandes projetos e os grandes problemas gerados por eles na região amazônica.

    2.os interesses são o resultado de uma nova e planejada política territorial, planejada pelo estado autoritário brasileiro com o principal objetivo de deste modo incorporar a região ao restante do brasil e do mundo, sendo a principal área fornecedora de matérias primas tais como: madeira, minério, diversidades de espécies animais e vegetais.

    3.entendo isto desta maneira: os governantes, preferiram de certa modo, criar projetos beneficentes á população lá encontrada do que perderem tudo ou seja suas terras para exploradores estrangeiros vindos de outros países do nosso gigantesco mundo.

    4.Sudam, incra, suframa, spve.

    5.grandes projetos são empreendedorismos executados por orgãos governamentais e não-governamentais superiores a um bilhão de dólares que servem para o benefício de uma população, com o principal objetivo de melhorar as condições de vida, moradia dos mesmos.

    6.Os principais problemas, são tantos que nem mesmo pessoas com cabeças desenvolvidas podem imaginar, são problemas que afetam uma população com desgastes ambientais e físicos extremamente importantes que trouxeram a pobreza para o povo amazônico, o desmatamento, a seca e criaram uma cratera de problemas que demorarão muito tempo para serem apagados e revertidos.

    7.O Projeto Trombetas que iria ser um grande projeto,mas que não chegou nem a sair do papel. Então este é o meu comentário sobre estes assuntos de grande repercussão.

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  7. 1:yuri gagarin e o seu feito 50 anos depois relembra a guerra fria:
    2:a corrida espacial foi apenas mais um dispyta politica milita e ideologica entre estados unidos e união sovietica :
    3:a corrida especial;foi apenas mais um fato da diputa milita ;

    união sovietica:esses paises disputaram zonas de influencia no mundo:

    4:pois os arsenais dessas superproteinas se fossem usadas destrui-lo-iam multualmente e jamais haveria paz entre o socialismo e o capitalismo que tinham objetivos antogonicas:

    5:excessivos gastos militares atras o tecnologico centralismo politico burocracia partidaria:

    escola:armando fajardo
    serie:2 ano c noite
    alunas:freila marlen ,maria vanuza ,zeneide

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  8. nao encontrei nada que queria

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  9. O objetivo da SUDAM deu certo?

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  10. muito bem falado sobre II PND e o o programa polo amazonia

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  11. Quais eram os interessados no polamazonia

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  12. queria saber mais sobre o projeto manganês..

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